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E aí? Você conhece Juliana Feliz? - ENTREVISTA

 


    Olá olá jovens e velhos, enfim saiu uma entrevista com uma autora brasileira. Um muitíssimo obrigado a Juliana por participar, fiquei muito feliz quando ela aceitou fazer parte desse projeto, é com grande satisfação que venho apresentar o trabalho dela e algumas curiosidades a respeito da autora. Confere até o final que tem ótimas dicas para quem gosta de ler, ótimas dicas para quem quer começar a escrever, ótimas dicas para quem já escreve e gosta de contar histórias! Depois me conte o que achou.

P: Oi Juliana, gostaria de começar com uma apresentação, por favor? 
R: "Nasci em São Paulo (SP) em 1977, tenho 43 anos. Sou bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (UFMS), licenciada em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas (UNESA), especialista em Imagem e Som (UFMS) e Mestre em Estudos de Linguagens - Linguística e Semiótica (UFMS). Atualmente moro na cidade do Porto, em Portugal, onde curso Doutorado em Ciências da Informação - Jornalismo e Estudos Mediáticos na Universidade Fernando Pessoa (UFP). Sou casada há 20 anos e temos três filhas."

P: Quais inspirações teve para escrever “As Cinzas de Altivez”? E o que pode nos contar sobre Ariadne (personagem central da história), alguma inspiração da vida real ou da ficção no geral?
R: "Acredito que as inspirações emergem do próprio escritor, elas não vem de fora, do mundo exterior. Elas acontecem a partir da nossa interpretação do mundo, ela acontece dentro, a partir dessas percepções mais aguçadas. Se sairmos para caminhar durante 15 minutos perto da nossa casa, ou sentarmos em um banco de praça, teremos material para produzir, no mínimo, um conto. Tudo pode ser inspirador, desde que tenhamos o olhar atento para o que acontece a nossa volta. "As cinzas de Altivez" é uma soma de muitas experiências pessoais, que são desde eventos particulares, até mesmo situações e histórias que ouvi de amigos, as viagens que fiz, leituras, filmes, dentre outros. Ariadne representa um ponto de ruptura no mundo onde ela vive, como acontece com muitos personagens literários. Ela é uma jovem de 18 anos que tem sonhos, mas a sociedade em que vive não permite que os realize sem que viole as regras. A protagonista é questionadora, inquieta e é dona de uma mente sagaz, que se manifesta desde as perguntas que faz em sala de aula até nas experiências paranormais que vivencia. Para mim, Ariadne sempre existiu. Quando comecei a desenvolver a personagem tive a impressão que ela já nasceu pronta, que eu deveria apenas conduzi-la pela história, levá-la até o seu destino. Criar um mundo e colocá-la para atuar é a magia, é a diversão que narrar representa para mim. Os cenários de Ordália são, em maioria, inspirados nos monumentos e paisagens portuguesas, o país que me encantou mesmo antes de migrar."

P: Algum personagem do seu último livro foi inspirado em você?
R: "Penso que todos os personagens que criamos carregam um pouco de nós, seja uma expressão, a fala, uma característica física ou traço de personalidade. Para mim não existe dissociação entre quem cria e o que foi criado. No entanto, se eu pudesse me mirar em uma personagem específica, escolheria Oriana Villaluz, do meu segundo livro, chamado "A Biblioteca dos Mortos". Talvez pela idade dela, que é a mesma da minha, e por conseguir dividir bem sua vida entre o trabalho e a maternidade, associando sua feminilidade, força interior e maturidade à atuação construtiva na sociedade em que vive."

P: Olha, por essa breve apresentação das duas personagens eu já estou ansioso para conhece-las. Pode nos contar seu lugar preferido para escrever? E se for algo muito exótico, por quê este lugar?
R: "O escritor escreve o tempo todo, a mente trabalha mesmo durante as atividades mais corriqueiras, como ir ao mercado, dirigir e tomar banho. Na hora de sentar para escrever, no meu caso, é apenas a materialização de tudo que já elaborei anteriormente, seja nas anotações no bloquinho ou descrever as cenas que imaginei ao longo do dia. Consigo produzir melhor quando estou bem emocionalmente, tranquila e sem pressões exteriores, mas entendo que isso varia de pessoa para pessoa. Costumo escrever em casa, no meu quarto, mas já escrevi em vários lugares, desde um sítio sem acesso à Internet até no avião e em bibliotecas. Se houver silêncio e café qualquer lugar é satisfatório para mim, pois escrever é um processo interior. Condições perfeitas nem sempre produzem as melhores histórias, é preciso se adaptar ao que temos e fazer o melhor possível."

P: Há continuação de “As cinzas de Altivez” em processo? Se sim, um spoiler por favor 😆
R: "As cinzas de Altivez é o primeiro volume de uma série. O segundo livro, A Biblioteca dos Mortos, já está pronto e em fase de editoração para ser publicado. Ele está repleto de aventuras, mistério, fenômenos e descobertas que foram suscitadas no primeiro livro. O terceiro estou na etapa de pesquisa e devo escrever entre este ano e o próximo. É bem provável que sejam quatro livros, mas adianto que não são histórias independentes, é uma história única, mas dividida em volumes."

P: Se pudesse escolher um personagem que gostaria de conhecer, seja de romances, HQs, mangás, literatura no geral. Qual seria e por quê?
R: "Se eu pudesse conversar com um personagem, passar algumas horas com ele, seria com o Edmond Dantès, de O Conde de Monte Cristo, do autor Alexandre Dumas. Seria uma oportunidade de saber mais sobre tudo que passou na prisão e como planejou sua revanche."

P: Um autor/escritor(a) que mais te influenciou a escrever? E com o que/como foi influenciada?
R: "Os meus maiores influenciadores foram os meus professores, desde a escola primária até muitos anos depois, na universidade, quando cursei Jornalismo. A minha paixão sempre foi contar histórias, sejam fictícias ou reais. Não haveria um escritor em especial que tenha me motivado a me dedicar ao ofício, foi algo que partiu de mim mesma, quando percebi que gostava de escrever e o quanto me satisfazia produzir textos, independente do gênero. Há escritores que admiro, seja pela suas histórias de vida, seja pelos monumentos literários incríveis que foram capazes de criar. No entanto, não consigo enxergar no meu texto essas influências de modo direto, mesmo no estilo. Talvez perceba essas referências de forma mais ampla, relacionada aos temas que tratam e às abordagens de mundo que apresentaram em suas narrativas."

P: Você já trabalhou com o que até hoje? E atualmente é só escritora?
R: "Ao longo da minha carreira, atuei como jornalista, assessora de imprensa e professora universitária em cursos de Comunicação Social. Atualmente me dedico ao Doutorado, que devo defender no próximo ano. Depois de concluir voltarei ao mercado de trabalho formal, além de conciliar com a Literatura, algo que desejo fazer para sempre."

P: Já teve algum momento em que você estava escrevendo sobre alguma situação inusitada, e pensou tipo: “caraca, não acredito que estou escrevendo isso!”?
R: "Não haveria algo que pudesse caracterizar desse modo. O que já me impressionou muito foram os efeitos que o envolvimento com a trama e os personagens causaram, e causam, em mim. Depois que se inicia a construção de uma história de ficção, sinto-me envolvida por completa na narrativa, ao ponto de permanecer por horas pensando no nome de um lugar ou de um personagem, ou mesmo de chorar quando estou escrevendo uma cena emocionante. Fiquei de luto depois que tive que sacrificar um personagem, como se fosse uma pessoa da minha família. É muito estranho, talvez, entender o que se passa quando estamos criando, pois a impressão é que tudo o que acontece é uma realidade paralela, como se existisse no mundo de fantasia do escritor. É claro que tenho uma vida, uma família, uma casa para gerir, mas percebo que muitas vezes parece tudo habitar o mesmo ambiente, envolvendo as pessoas que estão mais próximas a vivenciarem o mesmo. Por vezes tenho a impressão que os problemas dos personagens sublimam os nossos."

P: Participa de algum projeto social atualmente? Se sim, nos conte um pouco sobre e se fica no Brasil ou em Portugal.
R: "Sim, já participei de muitos projetos sociais, como voluntária, no Brasil. No entanto, em Portugal, ainda não encontrei um lugar para contribuir. Cheguei a procurar uma associação, mas por conta da pandemia tive que adiar um pouco essa atuação."

P: Entendo, mas nos conte quais obras você já tem publicadas? E quais os planos para o futuro?
R: "Mesmo trabalhando com redação jornalística, como revisora e professora por muitos anos, a publicação de livros chegou bem mais tarde, em 2015, quando, à convite, lancei meu primeiro livro, "O sapateiro descalço", que conta a trajetória da família Altounian, que fugiu do genocídio armênio e se fixou no Brasil no século passado. Em 2017, fui contratada para escrever o livro comemorativo "Celeiro de Fartura", que conta os 40 anos da entidade Famasul. O romance "As cinzas de Altivez" (2018) foi o meu primeiro título do gênero fantasia, voltado ao público jovem-adulto. "A Biblioteca dos Mortos" foi o segundo livro da série, que já está pronto e promete continuação para o próximo ano. Meu plano, no momento, é concluir a saga da Ariadne Ventura e depois continuar no campo da ficção. Tenho ideias em mente, mas devo me dedicar a elas somente daqui alguns anos."

P: Com que idade você pensou em escrever um livro? Foi algo oportuno ou já planejado há tempos? Tipo sonho de criança, enfim.
R: "Escrevo ficção desde criança. Quando tinha dez anos me lembro de produzir redações escolares com diálogos e cenas que misturavam fantasia e realidade. Como gostava de escrever, optei pelo Jornalismo, e isso foi bem cedo, quando tinha doze. Somente depois, mais madura, com estabilidade profissional e familiar, que resolvi retomar o processo criativo e me dedicar com mais afinco à produção literária."

P: Por fim, gostaria de deixasse uma mensagem para futuros escritores, uma mensagem de inspiração a todos que irão ler.
R: "Se eu pudesse dar conselhos aos que desejam começar a jornada da escrita literária, recomendaria que, além de ler gêneros variados, que apostem em situações novas, que vivam experiências, que coloquem-se diante no novo e do inusitado. Conversar com pessoas que pensam o oposto, conhecer novas culturas, religiões, visitar lugares e ter a mente aberta. Tudo que temos contato se torna subsídio para a escrita, desde as dores e desilusões, até as alegrias e vitórias. Além disso, recomendo disciplina e que nunca se perca a essência, que é o prazer de escrever, de contar histórias interessantes e que nos façam refletir sobre o mundo e a nossa própria existência."

    E é isto pessoal.

    Agora vou deixar a sinopse do livro abaixo, espero que gostem e confiram todos eles. Novamente um muito obrigado, foi uma entrevista de ótimas energias, certamente as próximas sequências da história de Ariadne vai render muitos bons frutos. 


As cinzas de Altivez

    Sinopse: Ordália é um mundo muito parecido com o nosso, mas também diferente. Em uma sociedade campestre, militarizada e autoritária, em que a "Ordem de Verus" tem poder absoluto, as pessoas vivem sob o domínio de regras bastante rígidas, transmitidas desde cedo pela família e reforçadas na escola, que fundamenta os ensinamentos no Ordalium, o Livro Intocável. Ao completar 19 anos, cada jovem tem seu futuro definido como manda o gênero, a linhagem e principalmente os interesses do sistema. O aniversário de Ariadne Ventura está próximo e ela também não terá a chance de escolher o próprio destino. A garota sensitiva de olhos controversos vive em Miraluz, um vilarejo onde a névoa é eterna e os costumes levados à risca. Ao investigar o desaparecimento de Corina Sanchez, uma antiga aluna do Educandário Lucidez, ela chama a atenção do professor Richard Expósito, que mudará sua jornada depois de um encontro secreto. A atmosfera de mistério do enredo captura o leitor para o desfecho de uma trama intrigante, repleta de fantasia, aventura e fenômenos mágicos.


    E segue a Juliana no Instagram para conferir as novidades, o link esta abaixo:


    Um abraço a todos vocês, jovens e velhos!

Camaleão Literário

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